cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





16.10.16

levito


quando me dizes que tenho um sorriso glorioso. quando me dizes que rimo com amoras e entardeceres e que rimo contigo a um nivel que nao sabes explicar. quando percebo que as nossas frases fazem pausas ao mesmo ritmo. quando me lês em voz alta. quando dizes "entonteces-me". quando falamos de magicos e feiticeiras. quando poes o teu ar sério. quando me envias postais incendiarios. quando me falas de figos e me das vontade de comprar romãs e falar de capicuas, ainda que nao seja assunto da época. 
gosto que me lembres que estou viva. 

24.9.16

fim do verao do fim...

muitas vezes pensei que se voltasse atras no tempo de uma relaçao amorosa gostaria de saber qual foi exactamente o dia em que os sentimentos começaram a mudar, do tipo, foi quando ele passou no corredor e eu estava a cortar uma curgete que pensei que ja nao o amava como dantes. parece que isso é um exercicio extremamente dificil porque o gradual é quase invisivel.
ha dias, num contexto pos relaçao tive aquele clique que faz ter a certeza que nao voltaras a estar com aquela pessoa porque nao ha nada que faça sentido. o clique da certeza. o clique que elimina todos os "se's". e percebi com toda a transparência que ha tantas razoes palpaveis, para as coisas terem chegado onde chegaram. fiquei num estado estranhamente sereno.

tinha as unhas pintadas de vermelho escuro. estava dentro do carro parada num sinal, as duas maos agarravam na parte de cima do volante e de vez em quando os meus dedos levantavam-se ao ritmo da musica. olhei para as minhas maos e achei-as bonitas e sobretudo achei que a minha mao esquerda era muito mais bonita sem aliança. 
segui caminho. virei à esquerda. e à esquerda outra vez. estacionei em três tempos e pensei que voltei a uma parte da minha forma de viver, perdi medos que tinha, ganhei confiança em pequenas coisas, voltei a sorrir e voltaram a dizer-me que era bonita. entrei em casa e tinha um abraço apertado à minha espera. 

ainda falta muita coisa, mas ja limpei a primeira camada de po e sei que esta bem limpa.

21.8.16

lisboa azul e branca


depois de uma semana de conversas e de programas televisivos sobre lisboa, o turismo e os "refugiados fiscais", sobre o descontentamento alfacinha do facto de lisboa estar a ser cada vez menos nossa, de tudo o que fazia da cidade uma capital charmosa estar a dar lugar a hoteis e mais hoteis, das pessoas que moram aqui estarem a viver como numa pensao em que os vizinhos sao agora turistas, decidi ir para os lados da graça e alfama ver as vistas e o ambiente. peguei no carro e fui em direcçao ao largo da graça. desci pela voz do operario. estava tudo calmo às 11h30. uns quantos tuc-tuc, alguns turistas de guia na mao, mas suportavel. estacionei num dos lugares dos feirantes, hoje de folga, e desci até ao quiosque. vi um cafe no lugar de um prédio que até ha relativamente pouco tempo atras me lembro de estar  abandonado. uma porta lindissima, com vista para o tejo e estava abandonado. mas alguém conseguiu pegar nele e fico contente. desci pelo jardim e arranjei uma mesa no quiosque, virada para o rio. pedi uma italiana e uma garrafa de agua e fiquei a apreciar o silencio e a admirar o panteao. nao é novidade para ninguem que me conheça que é o sitio de que mais gosto em lisboa. o terraço. magnifico. a vista é deslumbrante,  o jogo de luzes e sombras também, o silencio do tejo mais intenso. creio que ja nao subia la acima ha uns dez anos. esta diferente. tem mais movimento, esta assinalado, enfim, tornou-se um "monumento turistico". quando desci passei pela loja de souvenirs e a rapariga meteu conversa comigo. perguntou-me se tinha visto o filme sobre o panteao no quarto andar. respondi que nao, mas que ia voltar a subir. e perguntei se havia um elevador. estava calor e nao me apetecia subir tudo outra vez. e com um piscar de olho ela levou-me ao elevador da igreja de santa engracia. afinal, todas aquelas portas a cada andar, com ar de portas de manutençao, sao o elevador do panteao. senti-me num esconderijo. vi o filme e lembrei-me do filme do farol do cap ferret. voltei a descer, agora a pé e aos saltinhos. sai e vi muita gente ca fora. comecei a subir em direcçao à feira da ladra e quase na curva virei-me para tras. lembrei-me de todas as noites de frente para o panteao iluminado e de tantas vezes ter pensado que estava no centro da capital, num lugar turistico e estava sozinha. vi alguns prédios serem recuperados, tanta coisa a cair aos bocados num lugar preveligiado e quem pegara nisso tudo serao os "estrangeiros". viver ao lado do panteao, de frente para o tejo é quase como viver ao lado da torre eiffel.  e aquele bairro que durante tanto tempo foi desconsiderado, olhado como pobre, inseguro… no que ele se esta a tornar… "tao crescido!"

24.7.16

verdes domingos



domingo. esta um calor insuportavel. sou rapariga de meias estaçoes, de tempo morno. hoje procurei ar condicionado e coisas frescas. fui às compras e aos saldos. no saco trouxe um regador e uma tesoura para ervas aromaticas, pulseiras, brincos, camisolas. cheguei a casa e fiz uma salada de verao com abacate, tomate, milho e queijo. e depois tratei do meu pequeno jardim.

18.7.16

os reis das montanhas


M6. l'amour est dans le pré. as montanhas. as sardinheiras. os chalets. o mobiliario de madeira. as compotas e os produtos regionais. as vacas a pasterem. 
… e os kings of convenience
isso. os kings of convenience a ecoarem nesta emissao, pelas montanhas de frança.
eles que tantas vezes ecoaram nas minhas montanhas e foram banda sonora da minha vida nos alpes durante tanto tempo.
as vezes o nosso corpo é capaz de reacçoes fisicas que desconhecemos